
Menos hora extra, mais eficiência
Um processo manual que consumia horas extras toda semana virou uma rotina de uma pessoa só, sem novo fornecedor e sem custo de licença.

Uma plataforma única para tirar as concessionárias do vaivém entre sistemas e devolver tempo para vender.
Concessionárias trabalham com equipes de alta rotatividade e pouco tempo sobrando. Mesmo assim, tarefas básicas como cadastrar um carro ou atualizar um anúncio dependiam de vários sistemas, cada um com seu login e sua curva de aprendizado. Como PM, meu trabalho foi transformar essa fragmentação numa tese de produto: Uma plataforma única, viável para a empresa construir e simples o bastante para qualquer colaborador adotar.
O problema não era falta de ferramenta, era excesso. Cada etapa da operação (estoque, anúncios em portais, atendimento ao cliente) vivia num sistema diferente, e nenhum conversava com o outro. O resultado era retrabalho diário: o mesmo anúncio atualizado à mão em vários portais, dados do veículo digitados mais de uma vez e clientes esperando resposta.
Para o negócio, a oportunidade era clara. Centralizar essas tarefas num só produto reduz o custo operacional da concessionária e cria para a empresa um produto com potencial de receita recorrente no setor automotivo.

O problema apareceu em conversas e visitas técnicas às concessionárias. O padrão se repetia: vários logins, conhecimento espalhado entre sistemas e muito tempo gasto em ações repetitivas. A rotatividade das equipes piorava tudo, porque cada pessoa nova precisava aprender várias ferramentas ao mesmo tempo.
Isso definiu duas restrições desde o início. O produto precisava ser mais simples do que o conjunto de ferramentas que ia substituir, senão ninguém trocaria. E precisava ser barato de operar, porque integrações e armazenamento seriam os maiores custos recorrentes.
Comecei mapeando a jornada completa, do cadastro do veículo ao atendimento do cliente. Com entrevistas e observação do trabalho real, identifiquei onde estavam as fricções, quais tarefas se repetiam e quais sistemas não trocavam dados entre si.
Esse mapa virou a base da priorização. Em vez de uma lista de funcionalidades pedidas, o time passou a ter um retrato de onde o tempo da equipe estava sendo perdido, e foi isso que orientou o que entraria primeiro no produto.
Priorizei quatro frentes que atacavam as maiores perdas de tempo: cadastro de veículos com preenchimento otimizado, consulta automática a bases públicas de dados veiculares e restrições, um hub para editar e publicar anúncios em vários portais de uma vez e um agente virtual para fazer o primeiro contato e os agendamentos com clientes.
Optei por uma arquitetura modular sobre a infraestrutura que a empresa já usava. Isso reduziu o custo com licenças, evitou dependência de vários fornecedores e permitiu que as concessionárias adotassem o produto aos poucos.
Integrações com APIs pagas e armazenamento de imagens foram tratados como decisões de negócio, não só técnicas. Cada uma foi planejada para equilibrar desempenho e custo, para que o produto continuasse competitivo sem comprometer a margem.
O projeto chegou a um produto com escopo bem definido, validado em testes de usabilidade com usuários reais e pronto para desenvolvimento. Os fluxos foram pensados para que colaboradores com pouca familiaridade digital executassem as tarefas sem treinamento longo, e os processos ficaram documentados para suporte e onboarding.
Com a necessidade e o mercado bem entendidos, foi possível estimar com precisão o custo de implementação. Isso deu à empresa uma base concreta para precificar o produto e definir a estratégia de lançamento.
Em operações com muitas dores ao mesmo tempo, centralizar e simplificar gera mais valor percebido do que adicionar funcionalidades. E o custo de infraestrutura precisa entrar na conversa desde o começo, porque é ele que decide se o produto se sustenta.
Trabalhar perto do time de desenvolvimento desde cedo manteve as decisões de produto compatíveis com a realidade técnica e evitou retrabalho na hora de construir.

Um processo manual que consumia horas extras toda semana virou uma rotina de uma pessoa só, sem novo fornecedor e sem custo de licença.

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